A ESCOLHA DO OBSTETRA

 

Não é segredo para uma mulher que pensa em engravidar que a escolha do obstetra para acompanhamento é de suma importância. Ouso dizer que é a decisão mais importante durante esse percurso com possibilidade de impactar positivamente ou negativamente. 

 

No caso de mulheres com Trombofilia essa escolha é ainda mais delicada e determinante. 

Há 07 anos atrás, quando eu estava imersa em dúvidas e vivendo a época mais sombria da minha vida, era extremamente difícil encontrar um profissional dessa área com experiência em gestantes trombofilicas. O desgaste foi grande com o obstetra que me acompanhou durante as perdas na ocasião. O marasmo e a duvidosa conduta espectante (é realmente preciso viver a dor da perda, no mínimo, três vezes para que alguma ação seja tomada??) fizeram com que a nossa relação perdesse força e confiança. Eu questionava tudo. Lia tudo, devorava artigos, trocava experiências, o que, de certa forma, tirava o meu então obstetra da zona de conforto dele. O ponto final veio quando ganhei o apelido de "marrenta". Definitivamente, não dava mais.

 

A vida seguiu e encontrei, durante o processo da minha quarta perda, a tão sonhada obstetra humana e experiente. Para minha surpresa, ganhei uma pessoa muito querida na minha vida. 

Não precisa e nem deveria ser um processo complicado assim. A gravidez é sempre considerada um momento único na vida de uma mulher e tem um gosto ainda mais especial na jornada de mulheres que viveram a dor da perda gestacional (não importa em qual etapa dela). Por essa razão, é essencial escolher a dedo o profissional que deverá compartilhar dessa caminhada conosco. Vivi isso e faz toda diferença. O momento é ainda mais sublime quando o sentimento de gratidão é pleno.

 

Profissionais referenciados e indicados por outras gestantes costumam ser a melhor alternativa, mas além da questão do conhecimento acerca do assunto e da experiência (dois pontos indiscutíveis e bem estabelecidos), o fator empatia também deve receber especial atenção. É uma relação de mútua confiança, um momento único cercado de fantasmas de um passado doloroso, demandando intenso auto controle e paciência, de ambos os lados. O obstetra precisa enxergar esse lado, precisa ter compaixão pela dor do outro, ser solidário com nossas apreensões. Um médico humano e acolhedor pode e deve fazer toda a diferença no caminho que trilhamos até o nascimento do nosso bebê. Respeito é a palavra de ordem.

Fica aqui uma chamada para essa reflexão. Vale sim a pena gastar um tempo maior nessa busca pelo obstetra ideal. Não estamos falando aqui de perfeição. Não existe isso. Mas sim, de médicos verdadeiros, competentes e que abraçaram a profissão com gosto, com paixão. Não importa se ele atende pela rede pública, privada ou somente particular. O que conta nessas horas é o combo dos valores e virtudes que ele carrega aliados a expertise acerca do binômio Trombofilia e gestação. 


A máxima "juntos somos mais fortes" cai como uma luva nesse contexto. Cercadas por uma equipe experiente e humana temos quase 100% de chances de materializar nosso sonho da maternidade com um belo desfecho gestacional: um bebê saudável e vivo nos braços.

 

Por Thaisa Infurna - página Trombofilia e Gestação