Trombofilia e gestação


            A trombofilia começou a ser estudada em 1856 quando um patologista alemão levantou uma hipótese para explicar a patogênese da trombose. Ele sugeriu que existiam três causas primárias de trombose arterial e venosa: estase, lesão nas paredes dos vasos e anormalidades na circulação sanguínea. Depois disso, muitos pesquisadores estudaram o assunto, mas só em 1965 um físico norueguês observou a associação da deficiência da antitrombina com a tromboembolia venosa em uma mesma família. Na sequência, em 1980, outras causas de trombofilias hereditárias foram descobertas, incluindo as deficiências das proteínas C e S.


         Trombofilias adquiridas e fatores associados também vêm sendo amplamente estudados nos últimos anos, especialmente os anticorpos antifosfolipídicos e, como fator associado, a hiperhomocisteinemia.


          O sistema hemostático possui papel de suma importância no estabelecimento e manutenção da gravidez. O desenvolvimento da circulação placentária é assegurado pelas modificações estruturais das artérias espirais e por um estado de hipercoagulubilidade induzido pela própria gestação, o que resulta num aumento dos fatores pró-coagulantes e diminuição dos fatores anticoagulantes e da fibrinólise. Assim, a trombofilia (adquirida ou herdada), que por si só tem característica trombótica, pode oferecer uma série de riscos às gestantes sob esta condição, tais como perdas de repetição, óbito fetal, pré-eclâmpsia, HELLP, RCIU (retardo no crescimento intra-uterino), parto prematuro, tromboembolismo materno e outros.



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