Trombose (arterial e venosa) e Trombofilia


TROMBOSE (ARTERIAL E VENOSA) E TROMBOFILIA

O trombo é constituído de fibrina e células sanguíneas. A proporção de um tipo de célula ou outro e fibrina é influenciada por fatores hemodinâmicos; portanto, o trombo arterial difere do venoso. O trombo arterial é formado sob condições de alto fluxo e é constituído principalmente de agregados plaquetários; já o venoso forma-se em áreas de estase e é composto por células vermelhas, com maior quantidade de fibrina e poucas plaquetas.

O trombo pode ser formado em qualquer parte do sistema cardiovascular, incluindo veias, artérias, coração e microcirculação. As complicações das tromboses podem estar no local obstruído ou distante por embolização do material trombótico.

A trombose ocorre quando há um desequilíbrio entre os fatores
trombogênicos e os mecanismos protetores,podendo ser promovido por plaquetas e proteínas da coagulação, um evento que é modulado e equilibrado por proteínas anticoagulantes circulantes e sistema fibrinolítico. O endotélio vascular é ativamente antitrombótico quando intacto e se torna protrombótico se ativado ou lesado.

A trombose arterial é caracterizada por um processo crônico de acúmulo de ateroma seguido por uma ruptura abrupta da placa, agregação plaquetária e falência do sistema fibrinolítico em lisar o trombo resultante.
Após ruptura da placa aterosclerótica, com a exposição do subendotélio, as plaquetas aderem ao Fator de Von Willebrand e colágeno por meio do receptor do complexo glicoproteína Ib/IX e do complexo glicoproteína Ia/IIa respectivamente. A adesão plaquetária induz a uma série de eventos intracelulares que resultam na ativação plaquetária. A ligação do fibrinogênio e Fator de Von Wlillebrand no receptor da glicoproteína IIb/IIIa resulta na agregação plaquetária e propagação do trombo plaquetário.

TROMBOFILIA

Trombofilia é definida como uma tendência aumentada à formação de coágulos nas veias ou artérias e decorre de alterações da hemostasia que determinam a predisposição à trombose. As tromboses venosas e arteriais são exemplos de doenças complexas, na quais múltiplos fatores biológicos contribuem para aumentar o risco de vaso-oclusão como fluxo e pressão sanguínea, coagulação, inflamação e aterogênese. A formação de um trombo oclusivo é o evento crítico na fase aguda de ambas as doenças, entretanto, a patogênese da trombose venosa e arterial é suficientemente diferente para que elas sejam consideradas patologias independentes.

As alterações da hemostasia que predispõem à trombose podem ser congênitas, caracterizadas por alterações genéticas e herdadas por familiares, ou por situações adquiridas que alteram a hemostasia.

A primeira descrição de trombofilia hereditária causada por deficiência de proteína anticoagulante foi feita por Egeberg em 1965, que relatou uma família na qual vários membros apresentavam trombose venosa recorrente que, mais tarde, ficou demonstrada como decorrente da deficiência de Antitrombina III. Em 1976, Griffin e colaboradores descreveram o caso do primeiro paciente com deficiência de proteína C e trombose. Três anos mais tarde, a deficiência de proteína S foi relatada em vários membros de uma família com episódios de trombose.

Antes de 1993, as causas de trombofilia eram detectadas em pequena porcentagem de indivíduos que apresentavam episódios tromboembólicos. Defeitos hereditários foram encontrados somente em 5% a 15% dos pacientes e eram limitados à deficiência de proteína C, proteína S e antitrombina III. Com a descoberta de pacientes com episódios tromboembólicos inexplicados, apresentando mutações protrombóticas como mutação Fator V Leiden, mutação do gene da protrombina, foi possível definir fatores de risco genético em muitos pacientes jovens com trombose venosa idiopática. Trombofilias hereditárias específicas estão sendo identificadas em 30% a 50% dos pacientes que apresentam um primeiro episódio de tromboembolismo venoso e com alta percentagem encontrada em indivíduos com trombose recorrente.

Os pacientes que apresentam maior risco de trombose têm sido considerados como portadores de um estado de hipercoagulabilidade, o pode ser dividido em duas categorias: o primário, que consiste em uma doença trombótica herdada e inclui os indivíduos adultos jovens, com tendência trombótica geneticamente determinada (o paciente apresenta um defeito em um dos principais mecanismos de anticoagulação natural), e a segunda categoria, o adquirido ou secundário, que está associado a um grupo heterogêneo de anormalidades, nas quais parece haver um risco aumentado para o desenvolvimento de complicações trombóticas quando comparados à população geral.

O estado de trombofilia deve ser aventado nas situações em que a
ocorrência de tromboembolismo é rara na população geral, sendo achados clínicos importantes para o diagnóstico o tromboembolismo em idade precoce, tromboses recorrentes, história familiar de trombose, tromboses em sítios incomuns, perdas fetais recorrentes, pré-eclâmpsia, Síndrome Hellp.

As principais manifestações clínicas das trombofilias são trombose venosa profunda, a tromboflebite e a embolia pulmonar. A trombose venosa é uma grave complicação clínica que afeta uma em cada mil pessoas anualmente.

Os pacientes com o primeiro episódio de trombose após os 50 anos de idade, sem fatores precipitantes, apresentam como defeitos mais prevalentes a resistência à proteína C ativada, protrombina mutante e hiperhomocisteinemia.

Os pacientes com trombose em sítios pouco usuais, tais como veias mesentéricas, veias hepáticas, veias cerebrais e veia porta, deverão ser submetidos a avaliação laboratorial completa.

As tromboses geralmente resultam da interação entre fatores genéticos e adquiridos. Portanto, as tromboses podem ser consideradas como alterações multigênicas e multifatoriais, nas quais pacientes com uma ou mais mutações genéticas ficam susceptíveis à ocorrência de eventos clínicos quando expostos a estímulos exógenos protrombóticos.

fonte: artigos diversos na base bireme e dissertação de Maria Campos - Fibrinogênio como marcador de trombose